quarta-feira, setembro 02, 2009

O pacote

Numa manhã de chuva, assim como as anteriores, ela se levantou e desejou do fundo do seu coração que fosse domingo. Se arrumou lentamente e foi trabalhar. Em sua caixa de e-mails ela vê um nome especial e clica rapidamente. Nele havia um número de telefone e palavras que juntas formavam tudo o que ela desejava ouvir, mas ainda assim sabia que não aconteceria. Discou o número e esperou. Aquela voz conhecida que sempre lhe trouxe cumplicidade atendeu e disse palavras das quais ela abstraiu cada letra, hipnotizada pelo som. Algumas horas depois ela recebe um pacote. Tenta aparentar a mais displicência ao recebê-lo e deixa o pacote ao seu lado. As horas não passam, assim como a chuva do lado de fora. Em ponto ela se levanta e sai com o pacote. Avança algumas ruas no intuito de não ser vista por alguém conhecido, a chuva ainda é torrencial, então ela chega a uma rua vazia. Segura o guarda-chuva com o ombro enquanto abre o pacote com as mãos tremulas. Os muros presenciavam seu rosto tenso ao ver o presente. Leva alguns segundos para esboçar alguma reação, que é representada por grossas lágrimas descendo pelo seu rosto. Ela não se move. O presente em suas mãos, a rua vazia e a chuva caindo copiosamente, assim como as suas lágrimas, fazem ela voltar no tempo e perceber que as ações de outrora não poderão ser repetidas.

domingo, maio 17, 2009

Fotografia



No ano de 1914, um determinado grupo se encontra todas as sextas-feiras para um agradável pic nic a beira do Rio Tietê. As famílias com bons poderes aquisitivos eram um prato cheio para minhas fotografias, já que faziam questão de registrar seus momentos e podiam pagar por eles.
Aproximo-me desse grupo, bem alegre, que nota a minha presença. Observo as pessoas e julgo que ali há duas famílias, com seus criados e ainda alguns convidados. Parecem comemorar algo. Ou vem aqui com freqüência?
Eles me abordam e pedem pra que eu tire uma fotografia. Começo a posicioná-los, e acabo conhecendo um pouco de cada, porém, do grupo, três pessoas me chamaram atenção. Luma é mãe de um bebê, que mais parece uma boneca. Sinto que ela tem medo de deixar o bebê na cadeira, e ao velar essa fotografia, vejo que seu sorriso está inseguro pela inquietação deste no assento. Juliano, um homem distinto, convidado da família, me aparece na fotografia rindo de certo rapaz que tomou uns copos de vinho a mais, e sai na foto praticamente no colo de um criado da casa. Bruna é a boneca de porcelana que é segurada por uma linda mocinha, sentada entre seus pais. A boneca parece ser bem mais querida que muitas pessoas presentes na fotografia. Tamanha importância da boneca, que cobre parte do rosto de sua dona, numa tentativa de superioridade.
Peço que aguardem uns minutos para que eu entregue a foto, ela vai passando de mão em mão, abrindo um sorriso no rosto de cada um, eles vão observando os detalhes, rindo, como sempre as mulheres reclamando de suas aparências, a criança feliz pelo enquadramento de sua boneca.

sexta-feira, abril 24, 2009

Sozinha.

Chega o fim de semana. Ela trabalhou durante toda a semana contando os minutos para descansar. Chegando a noite, ela toma seu banho de beleza, lavando os cabelos com seu shampoo sem sal, usa seus óleos de banho e volta ao seu quarto para escolher meticulosamente quais serão as peças de roupa que vai usar, qual perfume a ser usado e o tipo de maquiagem. Então ela chega ao local onde vai expor toda sua sensualidade, se sentindo a diva do momento. Porém esse sentimento acaba em questão de segundos ao ver que muitas pessoas com o sexo semelhante ao seu fizeram exatamente o mesmo processo e estão tão glamourosas quanto ela. Ela vai murchando. Até ver uma figura que lhe interesse. Ela pega uma bebida no balcão e chega perto dele, se insinua, mas não olha pra ele, tentando se fazer de difícil, enquanto o objeto de desejo dela está comentando com o amigo ao lado o resultado do último jogo de futebol. Ele vai ao piso inferior e ela também, que dá um jeito de deixar discretamente a garrafa quase cheia numa mesa durante o caminho. Ao chegar lá ele encosta no balcão e pede uma cerveja. Ela, rapidamente, num misto de Karatê Kid com Demi Moore se joga no balcão conseguindo jogar também os cabelos e diz: "Duas", dando uma leve piscadela para o objeto de desejo do momento. Ele repara a moça com o canto do olho, ao que ela já estende a garrafa em sua direção pedindo que ele ajude a abrir a garrafa. Os homens tem esse dom de não perceber o que acontece à volta deles. Não percebe a cara de decepção da moça ao receber a garrafa de volta sem nem ao menos um "oi". Mas as mulheres também tem um dom. Elas não desistem assim tão facilmente. Ela volta ao piso superior e fica perto dele, dançando. E para aparecer um pouco mais, sua dança é praticamente uma dança da acasalamento, onde ela acena, eleva as pernas e praticamente uiva, mas ao lado o que importa já é o último modelo de carro lançado. A mulher também sabe a hora da retirada. Ela acena para o nada dando um sorriso, vai o mais distante que pode do ex-objeto de desejo e começa a realmente curtir a balada. Sozinha. Eis que o nosso ex-objeto de desejo desce para mais uma rodada e se desarma ao ver ela dançando, com um jeitinho meigo e ao mesmo tempo sensual. Ele se aproxima e tenta um diálogo, mas ela já está muito ocupada com outro objeto de desejo. Um outro objeto, que por sinal também não a percebe. Então ela olha o relógio e se assusta com o horário, vai embora. Sozinha.

quinta-feira, abril 02, 2009

A mensagem

Eu simplesmente fiquei sem chão. Minha boca abriu uma, duas vezes mas não emitia som algum. Minha mente apenas insistia em focar exatamente o momento em que li o que ele escreveu. Aquilo não podia ser pra mim. Não mesmo. Fui até a cozinha, enchi um copo com água, mas eu não sentia sede. Sentia dor. E um copo com água não iria curar aquela dor. Eu sentia vontade de chorar, mas o choro tava preso. Preso pela água que ficou entalada na minha garganta e insistia em não descer de maneira alguma. Andei pela casa vazia, procurando alguma fé debaixo das almofadas da sala, entre os pratos da cozinha. Gostar dói, tira o sono, fome, sede, a visão(pois quando gostamos não conseguimos ver o Hugh Grant ao nosso lado). Nessa hora eu estava cega. Mas não era um cego de gostar, nem de raiva. Eu não conseguia enxergar que não havia espaço pra mais alguém. Aquele ombro macio não era meu. Muito menos aquele sorriso doce. Percebi que pensava nisso tudo e não movia um milímetro do meu corpo. Eu não conseguia me mover. Não conseguia reagir. Lentamente meu rosto foi ficando molhado, uma única prova de que eu ainda estava viva.

domingo, março 29, 2009

Desabafo.

Faz tempo que não posto aqui. Não porque não tenha escrito mais, eu escrevo, mas sinto que quando venho até aqui aquele sentimento ou situação já se passou e acabei perdendo a oportunidade. Eu não tenho o hábito de divulgar o meu blog para os meus amigos, não porque eu sou egoísta, mas muitas pessoas fazem juízo errado daquilo que vêem e apenas processam aquilo que lhe interessam numa leitura. Se eu escrever um texto falando bem de algo e fizer uma crítica mínima num determinado ponto, sempre olharão apenas a crítica. Aí é que tá, eu não me importo mais. Nem deveria ter me importado antes, parece que eu não sei que sempre foi assim. Então, queridos amigos, me desculpem a palavra baixa, mas ligo o FODA-SE a partir de agora. Pra certas pessoas que me conhecem e me perguntam sobre o conteúdo do meu blog, eu digo,e explico mais uma vez: essas notas que escrevo quase sempre não são sobre a minha pessoa, mas sobre o que eu vejo, sobre alguém que me conta algo, sobre alguém que conheço. Ou não. Rs..... Enfim, ao contrário do que muita gente pensa estou numa fase muito boa, obrigada por perguntarem e por tentarem cuidar da minha vida. E pra essas pessoas eu dedico esta música abaixo, muito bem escrita por sinal, escolhi uma versão da Cássia Eller, se estiverem desocupados e não tiverem nada além do que tentar desvendar a vida dos outros, recomendo este DVD que por sinal é muito bom, se alguém quiser eu posso emprestar.
Aproveitem o domingo.



Blues da Piedade
(Cazuza/Frejat)

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que estão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade...

domingo, fevereiro 08, 2009

Parece, mas não é.

As placas me dizem pra que eu tome cuidado com os tubarões. Me pergunto se são mais perigosos os tubarões animais ou os tubarões humanos. São 9:30 mas o sol quer me dizer que é 12:00, confundo o céu com o mar, que me diz ser um só, enquanto vou me confundindo com o mar de gente que se forma na areia branquinha. Meus olhos vão fotografando cada cena e guardando em minha mente, o cheiro de mar entra em minhas narinas e eu, com mil pessoas à minha volta e ao mesmo tempo só, deixo de olhar o mar por um instante e sorrio. Sweet life.

domingo, janeiro 11, 2009

Recomeço

"Eu já entrei vinte vezes no escritório do psicanalista
Depois paguei ao médico e depois fui ao dentista
Para ver o que eu tenho e não consigo dizer.
Perguntei a toda gente que passava na rua
Ao patrão, à minha sogra, à São Jorge na lua
Mas nenhuma dessa gente conseguiu me responder.
Por causa disso eu fui pra casa e fiquei pensando
Se era eu que estava errado com as minhas maluquices
Ou se era o mundo todo que estava me enganando.
Arrumei as malas
Deixei as perguntas na gaveta
Procurei saber o horário do próximo cometa
Me agarrei em sua cauda e fui morar noutro planeta
."


Raul Seixas

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Ponto de vista

8:00. Parece que há cinco minutos ela fechou os olhos, mas na verdade isso foi há duas horas e trinta e cinco minutos. Se arruma e vai pedalar. Há pouco ela descobriu esse analista de duas rodas que ajuda aliviar as dores do coração. O contraste das belas flores na ciclovia com os carros e toda a sujeira que eles fazem mostram à ela como a vida pode se bela e feia no mesmo espaço, depende do ponto de vista. Num certo ponto chega a descida. Deixa que a velocidade a leve, ela sente o vento bater forte no seu rosto e vai acordando, seu corpo fica arrepiado e ela sorri. Sorri de alívio.

sábado, janeiro 03, 2009

Ela abriu o livro no metrô assim que se sentou, mas durante todo o percurso não leu uma palavra sequer. Seus olhos procuravam na janela algo que ela sabia, não estava lá, mas ela gostaria que estivesse. As letras do livro pareciam dançar e rir dela enquanto ela tentava juntá-las em vão e formar palavras, e com as palavras, frases que fizessem algum sentido pra ela.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Todo dia ela faz tudo sempre igual.

Ela sai pra almoçar. A comida não tem sabor algum, brinca com o arroz no prato como uma criança que a mãe obriga que ela coma tudo. Um nó na garganta não deixa a comida descer. O telefone toca. Uma voz amiga do outro lado da linha. Elas conversam e a amiga sente algo de estranho em sua voz. Pergunta se está gripada, ou chorando. O assunto é desviado e a ligação é finalizada. Entra no banheiro e tenta em vão conter as lágrimas. Ela sai do restaurante e pensa em ligar pra alguém e desabafar. Sim, tinha que ser alguém que não a conhecesse tão bem, nada de questionamentos. Apenas distração e uma voz amiga com palavras otimistas ao telefone seria perfeito. Plim. Achou pessoa perfeita. E não é que deu uma leve ajuda? Volta ao trabalho e na sua testa está escrito em neon: "Não quero conversar". Se tranca na sala e fecha os olhos. Seu sonho é abrir os olhos e estar longe. Mas o que ela continua a ver são os objetos de sempre. Sempre. Que palavra mais infeliz pra ela naquele momento. Sempre a mesma coisa. O dia termina, como sempre. Tudo o que ela queria neste momento era um pouco de serenidade.

terça-feira, setembro 30, 2008

O taxista

Perto do meu prédio tem um ponto de táxi que é a minha salvação para os dias em que eu estou atrasada. Lá tem dois taxistas, mas quase sempre acontece de pegar o mesmo taxista. Ele é um senhor de cabelos grisalhos e olhos verdes, usa um óculos com aquelas armações sem aro,saca? Ele sempre tá ouvindo moda de viola, mas eu nem ligo. Sempre tem algo pra me falar, os assuntos são: tempo, trânsito, depois muda pra tempo e pra dar uma variada fala do tempo. Engraçado que ele nunca me pergunta pra onde eu vou, ele apenas abre a porta do carro pra eu entrar, liga o carro e segue em frente. Juro que um dia eu queria que ele incorporasse o Gilberto Gil num momento "Vamos fugir" e ao invés de parar na porta do meu trabalho ele acelerasse fundo e me deixasse na primeira rodovia, aí eu viraria mochileira e sairia sem rumo. É um saco ser educada. Todo mundo adora educação, mas é um saco ser educado quando você não quer conversar. Hoje ele me deu aquele sorriso pronto que ele faz para os passageiros, me abriu a porta e disse: Vamos. É, vamos, não tem outro jeito. Ele liga o carro e segue em frente. Me fala do frio, eu concordo e digo que gosto de frio. Diz que ouviu no noticiário que ia chover, mas não tinha certeza se era aqui em São Paulo, pois ele não prestou atenção. Ele para o carro, o valor da corrida é sempre o mesmo. Agora enquanto escrevo tá chovendo e eu vim trabalhar com um scarpin que meu pé fica congelado. Preciso voltar a ligar a TV de manhã pra ver o "Bom Dia São Paulo" e retomar outros velhos hábitos, os que costumavam ser bons,claro.

sexta-feira, setembro 26, 2008

8:05


Toda história tem dois lados e duas razões. Dê um mês pra cá isso foi muito discutido em várias situações. Porém a teoria é a mesma, só muda de endereço. O fato é: a verdade nunca fica escondida. Ela atravessa fronteiras e oceanos, mas aparece. Quando ela é descoberta, traz decepções, surpresas, felicidade para alguns e para outros não, traz momentos de reflexão para que tudo possa ser assimilado. Um quebra-cabeças com peças faltando. Peças que se perderam com o tempo, e para reaver essas peças é preciso paciência, malícia, um pouco de compreensão, mas é preciso cuidado, pois existem quebra-cabeças onde a cada vinte peças encontramos uma peça exatamente do mesmo formato, gêmeas, temos que saber/sentir se estamos colocando a peça no lugar correto. Quando alguém nos diz a verdade, sempre falta alguma coisa, algum detalhe. Peças essenciais para que o quebra-cabeça se complete. Tempo/paciência. Depois do golpe que a vida nos deu, a gente pensa: como seria se soubéssemos da verdade desde o início? Não se pode saber sobre o que não se viveu. Apenas uma idéia geral. O que podemos fazer agora é aproveitarmos o que vem em frente, da forma que acharmos melhor, sem ressentimentos. Ressentimentos fazem com que a gente adquira um gosto amargo pra quem tenta nos provar.

terça-feira, setembro 02, 2008

Ufa!

Acabou o mês de agosto!\o/

Com certeza esse foi o mês do cachorro louco!!!Me aconteçeu tanta coisa que eu não sei nem enumerar...Decepções, felicidades, surpresas ou não, situações inéditas, amizades novas, muuuito stress no trabalho, doenças, etc etc etc. Mas tudo passa não é mesmo? Eu espero(e muito) que esse mês seja sereno. Só isso.

domingo, agosto 31, 2008

Perto do horário marcado ele sai com seu carro destinado a encontrá-la. Ela tinha aula na faculdade, não podiam se demorar. Eles marcaram na frente de uma padaria renomada ali do bairro, faltavam poucos metros pra chegar. Ali, em frente a padaria, ela esperava.
Por mais que todos os primeiros momentos de um relacionamento já estivessem consumados, ambos sentiam um frio na barriga, garganta seca, mãos suadas.
De longe ele avista aquela que o fez perder os sentidos.
Ele para o carro, mas ao invés de buzinar para que ela perceba sua presença, ele apoia o rosto no cotovelo e fica admirando até que ela percebe a presença dele ali. O amor tem dessas coisas ,não é mesmo? Deixa a gente bobo, cego, faz perder a razão e ir contra todas as concepções que criamos durante anos.
Por uma única pessoa.
Eles vão a um restaurante, falam sobre o seu dia, sobre eles, o clima é agradável, eles saem, param na porta da faculdade e ali se despedem com um beijo carinhoso.
Assim é até mais fácil aguentar a aula de matemática financeira.

quinta-feira, agosto 14, 2008

O que me deixa mais pra baixo é ver as pessoas que eu amo tristes. Me dói mesmo. Hoje chorei. Chorei por saber que não posso ver um sorriso no rosto de quem gosto.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Agora já foi...

Eu poderia ter dito isto, ou aquilo.

sábado, agosto 09, 2008

Vou tirar você do dicionário

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou troca-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um sim
Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um sim

quinta-feira, agosto 07, 2008

Ela

Ela não passa em porta entreaberta, não escreve nas entrelinhas, não cabe em buraquinhos.

Ela não se alimenta de migalhas, não bebe em conta-gotas, não mora em qualquer cantinho, não veste fiapos, não usa restinhos.

Ela não entende meias palavras, não ouve meios tons, não pinta em cores pastéis, não grita a meia voz, não se mostra a meia luz.

Ela não esmola, não suplica, não implora, não pede pelo-amor-de-deus, não se contenta com qualquer coisa, não aceita prêmio de consolação.

Ela não engole aos poucos, não toma um tantinho, não se alimenta de sobras, não se afoga em pouca água, não vive de leve.

Ela é assim.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Eles são parecidos. Mas o que eles não sabem é que um tem medo do outro. Ele acha que ela é absurdamente bonita e inteligente. Ela acha que ele é absurdamente bonito e inteligente. Numa mesa de bar eles relembram suas histórias, contam de seus erros e acertos, paixões,confusões, pretensões. Foi nos braços um do outro que encontraram cumplicidade e perderam seus medos. O toque de pele entre os dois era como imã, aquela pele macia não deixava que ela se desprendesse dele.O som ambiente era uma música propícia, perfeita para o ritmo da noite. Ali, juntos, nada mais importava. E conversando, o sentimento que imperava no ambiente era de admriração mútua. Ele se levanta e vai até outro aposento, apenas um óculos e um livro nas mãos fazem o seu figurino. Senta-se na cama novamente, procura a página e lê uma cronica. Eles se beijam e vão dormir.

quinta-feira, julho 31, 2008

Liberte suas emoções!

Ontem eu fui parar no hospital explodindo de dor de cabeça. Mal conseguia levantar a cabeça e se pudesse fazia virar noite pra não ter que ficar no claro ,tontura e tudo mais. Cheguei no hospital e pra minha surpresa o médico de plantão foi super atencioso comigo, até olhou nos meus olhos, pasmem! Ele me perguntou com o que eu trabalhava, o que eu fazia depois do trabalho, se eu falava das minhas coisas pra outras pessoas, como é a minha saúde, minha alimentação, etc etc etc, e ai me perguntou: "Quando você está triste ou nervosa, você costuma chorar?" Parei. Antes até se a Regina Duarte, rainha mór da teledramaturgia que tem 1000 façetas iguais pra 1001 tipos de sentimentos apareçesse na tela eu chorava. Agora a coisa mais difícil ever é desçer uma lágrima no meu rosto. Eu respondi: "Eu não choro mais por nada. Nem por mim." Ele baixou a cabeça e continuou a fazer anotações. Me examinou, conversou um pouco mais comigo e pediu pra eu sentar." Flaviane, o seu caso é bem comum ultimamente, você está com um quadro de stress, muito nervoso acumulado. Te recomendo que você começe a tomar um calmante muito bom chamado Lexotan." UHIUSAHASIUASHSUISHUASIHSUISAHSAIUASHASIUSHASUHSAIUASHASIUASHASI!!!!!!"Doutor, sinto muito, mas esse é um remédio que eu pretendo nunca mais tomar, já tive grandes problemas com ele." E com a semana que eu tive, realmente foi a gota d´água. Resumo da ópera: Ele me passou um calmante natural, o qual eu não vou tomar, vários remédios na veia miturados com glicose e mais um roxo no braço, acho que as pessoas devem pensar eu to usando drôgas,hoho, eu vivo com o braço marcado de injeção. É isso ai, uma qualidade de vida melhor, pliiiis, e me bilisquem pra ver se eu choro!uihsauisahsuihsaiushsiuhsiuhsiuahuas....

PS: Escrevendo para o Charlie, esse blog é inabitável,acho que se um dia eu cometer um assassinato venho aqui desabafar....hehe...free hugs.